quinta-feira, 12 de maio de 2011

Tem um casal de mendigos que mora na rua que eu pego ônibus.

Eles são jovens e tão apaixonados... Outro dia, eu estava esperando pra atravessar a rua, e o sinal demora mais ou menos três séculos pra fechar. Reparei neles. Eles estavam deitados, no chão, olhando um pro outro com um sorriso no rosto, os olhos brilhando. Eles ficaram assim por minutos, e minutos e minutos.

Eu fiquei olhando aquilo tão hipnotizada, porque era tão bonito o jeito que eles se olhavam. E o sorriso... O sorriso mais feliz do mundo.

De repente, um homem vira pra mim de cara feia e diz: "É mole?"

Fiquei revoltada. A resposta veio na hora na minha mente: É mole por quê? Tem que ter renda mínima pra estar apaixonado? Comprovante de residência? O que é tão absurdo? Ah, já sei. É tão absurdo que eles não tenham absolutamente nada e tragam mais amor pro mundo do que você!

Mas eu não disse nada. Eu ignorei o homem, olhei pra eles e sorri. Enquanto isso, eles não davam a mínima pro homem, pra mim ou pra qualquer um naquela rua. Naquele momento, eles, que não tinham nada, pareciam que tinham mais do que qualquer um de nós.

...

Hoje eu vi o menino em pé, pedindo dinheiro. E descobri que ele não tem os dois braços. E uma das pernas é toda machucada.

E enquanto ele andava entre os carros, com uma sacola pendurada no toco, a namorada, deitada no chão, olhava pra ele com o olhar mais doce e apaixonado do mundo.

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